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segunda-feira, janeiro 11, 2016

All I have is my love of love and love is not loving

Foi a primeira vez que me senti realmente apaixonado. Tinha dezoito anos, estava tão assustado que me tremiam as pernas. Estava um excelente Domingo de sol, estendi-me na relva e enquanto esperava pela miúda, coloquei no discman um cd que tinha gravado há poucos dias: The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. 

À segunda faixa, a tremideira nas pernas parou. Enquanto ouvia Soul Love, era como se conseguisse perceber tudo o que estaria para chegar, como a minha vida ia mudar para sempre e não tinha mais de fingir que tudo era apenas estilo e pouco sentir. A verdadeira aventura é vivermos aquilo que escolhermos através daquilo que sentimos e tentar gostar de nós mesmo assim. Claro que não percebi o aviso que a canção me dava. A relação foi patética. A miúda nunca mais a vi. Mas nunca mais larguei a fantástica enciclopédia que é aquela discografia. 

Costumo dizer, como elogio definitivo, que Bowie tem sempre uma canção para qualquer momento das nossas vidas. Sei que se um dia sentir algo que ainda não senti hoje, há uma música do Bowie a ajudar-me - um manual de instruções encriptado.

Hoje é como se ouvisse todas essas músicas ao mesmo tempo. 

quinta-feira, agosto 11, 2011

grazie




Dedicatória: Para alguém especial que gosta do que eu escrevo, percebe o que eu não digo e me traz palavras aos dedos *

terça-feira, março 30, 2010

Um artista sem musa é um artista sem tusa

Vamos ser sinceros. Eu sei que não está a ler isto. Sei que não há propriamente pessoas que vêm cá para ler coisas como em blogues a sério, seja lá o que isso for. Aqui vêm os meus amigos cuja paciência forniquei. "Vai à merda do blogue". Ou então, "Vai à merda do blogue que eu vou ao teu."

Costumo escrever para mim, depois publico aqui para estar à mão, ao pé, e não na cabeça ou numa gaveta que cheira mal porque há dois anos que lá se derreteu uma pilha AAA e eu não gosto de tirar aquela merda de lá porque faz-se-me uma comichão esquisita na mão e dá-me vontade de a levar à boca. E isso põe-me a desconfiar de mim próprio. Porque raio desejo levar à boca algo em que não consigo sequer tocar? Não gosto. Cheira-me a rabetice. Não costumo ser homofóbico excepto quando suspeito que sou meio larilas.

Nem sempre ponho aqui o que escrevo, às vezes deixo perdido algures num canto recôndito da hierarquia de lixo do meu disco duro. Umas vezes junto a uma recordação calorosa, outras ao lado de um pedaço de informação inútil. Nunca guardei um texto ao lado de um ficheiro pornográfico mas hei-de experimentar coabitar as minhas palavras com uma puta, a ver como envelhecem.

Antes escrevia para alguém. Até fazia dedicatórias, e há o mito de que houvera quem chorasse só de as ler. Francamente. O que a si tão mal lhe fica, tão bem a mim me sabe. Vezes houve em que escrevi para mulheres, e por sua causa. Por não conseguir chorar tive que escrever as minhas próprias lágrimas. E outras vezes de tanto elas me escorrerem ficava-se o papel num borrão. Verdades, que se aqui publicado já não dá mais para ver, na minha memória ainda lá está o borrão de uma lágrima a apagar um nome. De uma gaja. Ai, tão boa. Primeiro foi a lágrima a inundar-lhe o nome, adiante foi uma enchurrada de água que me fodeu o quarto todo, depois de eu lhe ter feito o mesmo a ela, no mesmo sonho. Que belo sonho. Depois fui eu a inundá-la de insultos. Depois de ter acordado. Não do sonho. Do feitiço, de ter de acordar todos os dias a pensar nela, porque nela me deitava. Figurativamente, claro. Ela não deixava, a vaca! Tão boa...

Faz falta. Desejar alguém que não nos merece, que não nos faria feliz mesmo que tentasse, chorar porque ela não tenta. Declamar poesia à Lua, tratando-a pelo nome dela, esperançados que naquele momento está ao luar, sorrindo, pensando também ela em nós. Enquanto ela está a foder com um gajo qualquer que não posso ver nem pintado de rosa-alface. O pulha! A puta! Que se o fizesse comigo era sem culpas, sem angústias nem maldade. Só sacanagem.

Faz falta. Se a malta não sonha, não avança, não nada. Se não há desejo, não há textos lamechas para os amigos lerem. Para se rirem, gozarem connosco por sermos tão básicos, como eles. Depois escreve-se sobre músicas ou sobre um filme que se viu, e tenta-se explicar ao mundo todo como é fantástica a obra daquele autor, por mais argumentos que todos os outros usem para demonstrar que aquilo é uma merda. Tu sabes que não é, porque tu és um especialista sobre aquilo de que gostas. Mas os outros não percebem que aquele filme fala sobre ti, que são as tuas desventuras que canta o trovador. E que fiel retrato é. Grande artista! A ser tão bom assim deve ter uma musa. Tão boa, a puta.



Dedicatória: Se houve alguém que pensasse que eu ia mesmo escrever sobre os discos e filmes que mais me marcaram na década passada, como prometi há uns posts atrás, este texto é-lhe dedicado. Eu também me senti enganado pois também eu pensei que o ia, mesmo, fazer.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Injuriado

Se eu só lhe fizesse o bem
Talvez fosse um vício a mais
Você me teria desprezo por fim
Porém não fui tão imprudente
E agora não há francamente
Motivo pra você me injuriar assim

Dinheiro não lhe emprestei
Favores nunca lhe fiz
Não alimentei o seu gênio ruim
Você nada está me devendo
Por isso, meu bem, não entendo
Porque anda agora falando de mim


*Letra de "Injuriado" de Chico Buarque

Dedicatória: Para o Ricardo (obrigado pela conversa)

quinta-feira, março 15, 2007

There I was in uniform
Looking at the art teacher.
I was just a girl then;
Never have I loved since then.

He was not that much older than I was
He had taken our class to the Metropolitan Museum
He asked us what our favorite work of art was,
But never could I tell it was him.
Oh, I wish I could tell him
Oh, I wish I could have told him.

I looked at the Reubens and Rembrandts
I liked the John Singer Sergeants
He told me he liked Turner
Never have I turned since then
No, never have I turned to any other man.

All this having been said,
I married an executive company head.
All this having been done, a Turner - I own one.
Here I am in this uniform, this pantsuit sort of thing,
Thinking of the art teacher.
I was just a girl then;
Never have I loved since then.
No, never have I loved any other man.

letra de "The Art Teacher" de Rufus Wainwright


Dedicatória: Para um amigo que uma vez me falou de duas mulheres: a mulher com quem é casado, e a mulher da sua vida.