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segunda-feira, janeiro 11, 2016

All I have is my love of love and love is not loving

Foi a primeira vez que me senti realmente apaixonado. Tinha dezoito anos, estava tão assustado que me tremiam as pernas. Estava um excelente Domingo de sol, estendi-me na relva e enquanto esperava pela miúda, coloquei no discman um cd que tinha gravado há poucos dias: The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. 

À segunda faixa, a tremideira nas pernas parou. Enquanto ouvia Soul Love, era como se conseguisse perceber tudo o que estaria para chegar, como a minha vida ia mudar para sempre e não tinha mais de fingir que tudo era apenas estilo e pouco sentir. A verdadeira aventura é vivermos aquilo que escolhermos através daquilo que sentimos e tentar gostar de nós mesmo assim. Claro que não percebi o aviso que a canção me dava. A relação foi patética. A miúda nunca mais a vi. Mas nunca mais larguei a fantástica enciclopédia que é aquela discografia. 

Costumo dizer, como elogio definitivo, que Bowie tem sempre uma canção para qualquer momento das nossas vidas. Sei que se um dia sentir algo que ainda não senti hoje, há uma música do Bowie a ajudar-me - um manual de instruções encriptado.

Hoje é como se ouvisse todas essas músicas ao mesmo tempo. 

sexta-feira, agosto 16, 2013

aaaargh

hoje acordei louco e sinto-o
os olhos arregalados
a boca a salivar

hoje acordei louco e sinto,
tivesse eu a faculdade,
é dia bom para matar

hoje acordei louco e muito
estive a sonhar com presunto
tenho a lingua mastigada

sabe bem a lingua em sangue
do porco que sonhava
comer porco a sonhar

sábado, outubro 08, 2011

fóque-se

aquele momento de raiva, quando cai comida no pijama
foda-se!

sexta-feira, setembro 30, 2011

what becomes of the nasty bastards

Entrei no supermercado, fui directo à garrafeira. Estrategicamente colocados junto à rak dos vinhos, pendiam em movimento descendente as caixinhas de preservativos. Instantaneamente comecei a ouvir na minha cabeça o "What becomes of the broken hearted". 
Revelação.
Recuperei toda a esperança em mim e na humanidade.

sábado, agosto 20, 2011

Ah, as vantagens de se viver numa casa antiga.
lá fora está a noite mais quente do ano,
cá dentro tenho os mamilos revoltos.
A caminho de casa contorno três pares românticos. Os amantes são as novas rotundas.

segunda-feira, maio 23, 2011

Plop

Por vezes tenho conversas que me proporcionam uma experiência emocional equivalente à de ir buscar um cêntimo ao fundo da retrete.

Peço desculpa.

domingo, dezembro 26, 2010

the snot and the shrimp

Hoje acordei com a garganta inflamada e nhoca no narinas.
Hoje vou comer camarões e vai saber-me a ranho.

terça-feira, outubro 06, 2009

Pouco antes das legislativas fui jantar com dois amigos de direita. Dois jovens bem-dispostos que gosto de ter por companhia. Não foi de estranhar que neste concílio de bobos as primeiras histórias tenham sido os usuais relatos de bebedeiras e que, por isso mesmo, a conversa tenha descambado para a vida universitária. Uma das coisas que mais me custa é fingir que tenho maior interesse em ouvir as aventuras boémias, sexuais ou folclóricas dos universitários do que em saber pormenores sobre as cadeiras que deixaram para trás e, assim sendo, tentei focar a conversa nos cursos que eles frequentam. Os meus amigos sorridentes revelaram ser dois verdadeiros anti-o-outro, começando a atacar ferozmente os cursos um do outro, a protegerem desalmadamente os seus respectivos e inclusivamente deixando-me a falar para o tecto acerca das minha conjecturas sobre a educação, para atacarem com cada vez menos ponderação qualquer esboço de opinião que o rival ameaçasse produzir. A esta altura já me socorria da estratégia do jornal, fazendo de conta que o conseguia ler mesmo tendo de fundo a discussão deles, mas quando vejo que eles nem sequer reparam que eu não faço parte da conversa, vou-me divertindo chamando-lhes nomes e fazendo comentários sem sentido apenas para divertimento próprio. Depois de sairmos do restaurante dirigimo-nos para uma esplanada e durante o caminho ouço uns quantos insultos inusitados acerca da melomania de cada um - uma espécie de interlúdio cultural na discussão da noite. Chegados à esplanada eis que me deparo com os dois a juntarem-se à animada conversa da mesa - política, o tema que por excelência evito com estes dois ilustres amigos juntos. Se bem me lembro acho que consegui resistir cerca de uma hora embora não consiga precisar porque a partir daí comecei a sentir uma intrínseca necessidade de consumir álcool.
Ora, é com sinceridade que vos digo que preferia vê-los em tanga, numa duna, a lutar até à morte com um x-acto ferrugento para cada, do que voltar a aturar semelhante idiotice. E tendo em conta a última frase deixe-me dizer-lhe umas coisas sobre mim: eu sou heterossexual, pudico, não aprecio violência, detesto que deixem vidro ou objectos pontiagudos nas praias e sou a favor das discussões livres entre pessoas de ideologias diferentes. Mas como é possível que dois benfiquistas possam discordar tanto, num momento em que todos eles se juntam para adorar Jesus?
Eu juro perante si, leitor, que se eu descubro que a origem desta parvalheira vem de uma rivalidade "fanboy de Interpol vs. fanboy de Metallica", eu fodo-os com um par de estalos a cada um.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Ontem vi Kayo Dot no Passos Manuel, um concerto especial de hora e meia. Espero nunca vir a ter Alzheimer.